Protestos dos caminhoneiros no Paraná desabastecem mercados e postos de combustíveis

Consumidores de todas as regiões do Paraná sentem os reflexos da paralisação dos caminhoneiros nesta quinta-feira (24). Supermercados das regiões norte, noroeste e dos Campos Gerais não estão conseguindo repor legumes, verduras, frutas, carnes bovinas e frango nas gôndolas.

Desde segunda-feira (21), protestos dos caminhoneiros em rodovias federais e estaduais de todo o Paraná impedem o tráfego de caminhões carregados. A mobilização é nacional.

Até o início da tarde, havia cerca de 185 manifestações em estradas do Paraná. Como os caminhões carregados com as mercadorias estão parados nos protestos em rodovias, a preocupação é com o desabastecimento nas lojas.

O presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), regional de Londrina, Marcelo Gasparotto, ressalta que, se a situação não for normalizada, os problemas podem piorar.

“Frutas, legumes e verduras não estão chegando nas Centrais de Abastecimento nas lojas. Como os frigoríficos e abatedouros suspenderam as atividades, também não está chegando carne. Os mercados estão se virando com o estoque que têm”, diz.

Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e em Paranavaí, no noroeste, o consumidor já encontra algumas gôndolas vazias. Em Maringá, no norte, mercados menores estão sem alguns produtos perecíveis e industrializados.

Em nota, a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) considera legítimo o direito de manifestação da categoria profissional dos caminhoneiros, mas expressa preocupação com o abastecimento de gêneros básicos, como alimentos perecíveis.

Empresas filiadas à Apras informam que já começam a ter estoques de produtos comprometidos.

Por causa da escassez de alguns produtos, o valor de alguns aumentou. Em uma feira em Londrina, o preço do quilo da batata, por exemplo, passou de R$ 3,50 para R$ 8,00. O quilo do tomate é vendido a R$ 10,00 e o da cebola, a R$ 7,00.

Gás
Além da preocupação com a falta de alimentos, revendas de gás em Maringá, Londrina, Paranavaí e Cianorte estão sem o produto em estoque. Caminhões carregados com as mercadorias estão parados nas manifestações e não há prazo para a reposição dos produtos.

Em Cascavel, das 120 revendas de gás, na manhã desta quinta apenas dez ainda tinham o produto. Segundo o Sindicato das Empresas de Atacado e Varejo de Gás (Sinegás), as revendas costumam ser abastecidas todos os dias, mas, desde domingo (20), não chegaram novas cargas.

A previsão é a de que o estoque seja reabastecido somente após o fim da greve dos caminhoneiros. Em Foz do Iguaçu, o gás acabou em algumas revendas e em outras o estoque está quase no fim.

Combustível
Também já há registro de falta de combustíveis em todas as regiões do estado. Filas gigantescas de veículos se formam em frente aos postos.

O Procon de Maringá e de Paranavaí fiscalizaram, nesta manhã, postos de combustíveis para verificar se houve aumento abusivo de preço.

A Polícia Civil em Londrina informou que elevação injustificada de preços é crime contra a economia popular e pede para a população documentar e denunciar os abusos.

Motoristas de Foz do Iguaçu têm cruzado a fronteira em busca de gasolina nos postos de Ciudad del Este, no Paraguai, onde o preço do litro chega a ser mais de R$ 1 mais barato que no Brasil.

Em um dos postos, a polícia precisou ser chamada para conter os ânimos de quem aguardava na fila para abastecer.

Segundo os frentistas, o movimento aumentou desde segunda-feira. Há falta de gasolina e etanol em vários postos de Guarapuava, na região central do Paraná. Em Ponta Grossa, não há mais gasolina e etanol.

Em União da Vitória, no sul do Paraná, o Sindicombustíveis divulgou uma nota informando que já acabaram os estoques de gasolina e etanol nos postos de combustíveis, restando apenas diesel em alguns estabelecimentos.

Ônibus
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Londrina (Metrolon) informaram que o serviço tem alterações em função da falta de combustível.

Em Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo, no oeste, várias linhas do transporte público tiveram horários reduzidos a partir desta quinta-feira.

Em Ponta Grossa, o transporte público tem funcionado com frota reduzida desde quarta-feira. Em nota, a empresa responsável pelo serviço, a Viação Campos Gerais (VCG), informou que os ônibus têm combustível para rodar até sexta-feira (26).

Trens
Segundo a Rumo, os serviços de transporte por ferrovia já sofrem o impacto da paralisação porque as cargas industriais e agrícolas não estão chegando com normalidade aos terminais de transbordo.

Os trens estão transportando menos, mas seguem em operação com remanejamento constante, conforme as cargas chegam aos terminais. Até esta manhã, não havia uma dimensão do impacto gerado no transporte ferroviário.

Cooperativismo e agropecuária
Sistema Ocepar, 20 das 69 cooperativas agropecuárias do estado suspenderam as atividades devido à paralisação dos caminhoneiros. Juntas, elas são responsáveis por uma receita diária de aproximadamente R$ 150 milhões.

No Paraná, suspenderam as atividades: oito frigoríficos de abate de aves; dois frigoríficos de abate de peixes; quatro frigoríficos de abate de suínos; e seis indústrias de captação de leite.

Porto de Paranaguá
Os protestos ainda refletem no funcionamento do Porto de Paranaguá, no litoral.

De acordo com a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), até quarta (23), as operações de granéis tinham diminuído 27%. Ou seja, a movimentação diária caiu de 150 mil toneladas 110 mil toneladas.

Até quarta-feira (23), greve dos caminhoneiros tinha diminuído em 27% as operações de granéis no Porto de Paranaguá, segundo a Appa (Foto: Appa/Divulgação)

Educação
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) suspendeu as aulas na quarta-feira. Todas as atividades acadêmicas devem ficar suspensas até que a situação volte à normalidade, segundo a instituição.

Na região central do Paraná, as aulas estão suspensas em escolas estaduais de: Turvo, Campina Simão, Goioxim, Reserva do Iguaçu, Candói e Foz do Jordão.

A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), na região de Guarapuava, também optou por suspender as aulas nesta quinta-feira.

Medidas emergenciais
A Prefeitura de Londrina anunciou, na manhã desta quinta-feira, um conjunto de medidas para economizar combustível e assim manter os serviços essenciais enquanto durar a paralisação dos caminhoneiros.

O município conseguiu uma reserva técnica de 2,5 mil litros de óleo diesel para utilização nas sete ambulâncias. Essa quantidade dará por aproximadamente 15 dias. Com isso, nenhum serviço prestado à população é prejudicado.

As viaturas da Guarda Municipal também foram abastecidas e continuarão trabalhando.

Os caminhões das Secretarias de Obras e de Agricultura que armazenam combustível também serão utilizados para o abastecimento de viaturas municipais. O município também está reduzindo as atividades administrativas, para economizar combustível.

Escolta de combustível
Polícia e prefeitura escoltaram, nesta manhã, caminhões-tanque da refinaria da Petrobras em Araucária, na Região de Curitiba, até as garagens das empresas de ônibus responsáveis pelo transporte público na capital.

Segundo a prefeitura, agora, os veículos têm combustível para rodar por mais de uma semana. Também foram abastecidos ambulâncias e veículos da polícia.

Ainda nesta manhã, a PRF também escoltou três caminhões que levavam combustível para os aviões do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.

Apoio às manifestações
No sudoeste do estado, empresários de ao menos 25 municípios, como Francisco Beltrão, fecharam as portas nesta manhã em apoio à paralisação.

Em Paranaguá, moradores carregaram o porta-malas de um carro com comida para levar aos caminhoneiros que estão às margens das rodovias da região. Eles contam que pretendem continuar oferecendo ajuda enquanto durarem os protestos.

“Estamos aí, vendo o sofrimento deles, e resolvemos ajudar também. Temos pão, leite com café, sanduíche pronto”, afirma uma moradora solidária ao protesto. (Rádio Web CP com texto e informações G1 PR).

 

 

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