Butantan começa última fase de testes de soro para tratar pacientes com Covid

O Instituto Butantan começou a última fase de testes, em laboratório, de um soro para tratar pacientes com Covid.

Não é à toa que essa fase final da pesquisa foi chamada de “teste desafio”. Os pesquisadores estão utilizando o vírus ativo da Covid. O Butantan já tinha usado o vírus inativado da doença para o estudo em cavalos. A nova exigência é da Anvisa.

O vírus foi isolado em um laboratório de segurança máxima, no caso o da USP, que tem essa certificação, e injetado em roedores. Agora, os estudiosos observam quanto tempo leva para o animal produzir os anticorpos e como eles agem para barrar o coronavírus.

Os pesquisadores esperam concluir o teste até o fim de janeiro. Se o resultado for positivo, o Butantan vai pedir a autorização da Anvisa para iniciar os ensaios clínicos, quando o soro é aplicado em pessoas que estão contaminadas pela doença. É nessa etapa que os pesquisadores vão descobrir quantas doses são necessárias para tratar um paciente.

O soro anti-Covid não significa a cura, alerta a pesquisadora Ana Marisa Tavassi. É uma forma de tratar o doente reduzindo os sintomas mais agressivos da doença. Ela explica a diferença entre vacina e soro.

“Quando você fala em vacina você está falando de imunizar, quer dizer, injeta um antígeno, um vírus formulado, um vírus ou parte do vírus ou o próprio RNA como a gente está ouvindo nas outras vacinas, e espera que o organismo reaja a isso e forme anticorpos. No caso de soro é diferente. Eu produzo o anticorpo, eu imunizo um outro ser, retiro o anticorpo daquele ser e passo esse anticorpo prontinho para quem já está doente. Então a gente chama de imunização passiva. E o que eu espero? Espero uma ação muito rápida”, explica Ana Marisa Tavassi, diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação.

Os testes para produzir o soro anti-Covid começaram em 2020. Seguiram o mesmo caminho da fabricação de outros soros, como o antiofídico, para picadas de cobras.

Os pesquisadores injetaram o vírus inativo da Covid em cavalos. O organismo dos animais reagiu produzindo anticorpos. Uma parte do sangue – o plasma – foi retirada e levada para o laboratório. O Butantan diz que conseguiu produzir em três meses 2.250 doses do soro anti-Covid, mas pode produzir mais.

“Muito provavelmente a quantidade pode duplicar ou até triplicar. Ou seja, a gente é capaz de produzir cinco mil até dez mil frascos para que a gente possa realmente oferecer para o sistema de saúde”, diz Fan Hui Wen, gerente do Núcleo de Produção de Soros do Butantan.

Perguntada qual a urgência na produção do soro, a pesquisadora Ana Marisa Tavassi disse:

“É para ontem, para antes de ontem porque tem uma quantidade de gente muito grande morrendo e talvez o soro seja uma forma de a gente poder enfrentar de alguma forma isso e colaborar”. (Rádio Web CP com conteúdo do Jornal Nacional/Rede Globo).

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